
Guilherme de Almeida participou ativamente da Semana da Arte Moderna em 1922. Pertenceu à Academia Brasileira de Letras e a diversas instituições culturais estrangeiras. Suas poesias foram publicadas pela primeira vez em 1917, no livro Nós. Vieram depois: A Dança das Horas (1919), Messidor (1919), Encantamento (1925) e outros, num total aproximado de 50 volumes, incluindo prosa e traduções.
Apreciemos o lirismo de Guilherme de Almeida em dois poemas: Nós, composto quando encarnado e Terceiro Soneto, recebido pelo médium Jorge Rizzini, publicado em Antologia do mais Além.
Nós
(Guilherme de Almeida - Encarnado)
Nessa tua janela, solitário,
entre as grades douradas da gaiola,
teu amigo de exílio, teu canário
canta, e eu sei que este canto te consola.
E, lá na rua, o povo tumultuário
ouvindo o canto que daqui se evola
crê que é nosso romance extraordinário
que naquela canção se desenrola.
Mas, cedo ou tarde, encontrarás, um dia,
calado e frio, na gaiola fria,
o teu canário que cantava tanto.
E eu chorarei. Teu pobre confidente
ensinou-me a chorar tão docemente,
que todo mundo pensará que eu canto.
(Guilherme de Almeida - Encarnado)
Nessa tua janela, solitário,
entre as grades douradas da gaiola,
teu amigo de exílio, teu canário
canta, e eu sei que este canto te consola.
E, lá na rua, o povo tumultuário
ouvindo o canto que daqui se evola
crê que é nosso romance extraordinário
que naquela canção se desenrola.
Mas, cedo ou tarde, encontrarás, um dia,
calado e frio, na gaiola fria,
o teu canário que cantava tanto.
E eu chorarei. Teu pobre confidente
ensinou-me a chorar tão docemente,
que todo mundo pensará que eu canto.
Terceiro Soneto
(Guilherme de Almeida - Espirito)
Mas não te olvidei, meiga companheira!
Nem tu guardaste o meu velho retrato...
A vida é peça eterna, e a morte, um ato:
Não tem o amor limite nem fronteira!
Minha alma é da tua prisioneira...
E eis que ergo vôo, e como Ser abstrato
Avanço pelo céu - como um extrato!
Buscando a nossa casa derradeira...
E te vejo a lembrar nosso passado:
Juras de amor... bilhetes cor-de-rosa...
Alamedas... E, ali fico ao teu lado
E a nos fitar a imagem de Jesus...
E beijo tua face inda formosa,
Emoldurada por intensa luz...
(Guilherme de Almeida - Espirito)
Mas não te olvidei, meiga companheira!
Nem tu guardaste o meu velho retrato...
A vida é peça eterna, e a morte, um ato:
Não tem o amor limite nem fronteira!
Minha alma é da tua prisioneira...
E eis que ergo vôo, e como Ser abstrato
Avanço pelo céu - como um extrato!
Buscando a nossa casa derradeira...
E te vejo a lembrar nosso passado:
Juras de amor... bilhetes cor-de-rosa...
Alamedas... E, ali fico ao teu lado
E a nos fitar a imagem de Jesus...
E beijo tua face inda formosa,
Emoldurada por intensa luz...
Por Altamirando Carneiro - texto retirado da Ed. nº 55 da Universo Espirita
7 comentários:
Quanta originalidade e beleza nessas poesias... Para mim a poesia é encontrar um abraço e um carinho quando estamos solitários. A poesia lava as nossas almas e nos eleva.
Parabéns pelas escolhas!
TEnha um domingo maravilhoso!!
Beijooos...
*Já te linkei!
Um lindo domingo e uma semana cheia de LUZ,AMOR,HARMONIA e PAZ PROFUNDA, meu querido amigo...
Fique com DEUS!!!
Um beijo!!!
ROBERTA
Não conhecia Guilherme de Almeida, gostei muito!!!
Beijo, boa semana pra você!!
Passei pra deixar um beijo!!
Tenha uma semana maravilhosa!!!
Olá Clark!
Realmente não conheço muito sobre os trabalhos de Guilherme de Almeida.
Mas gostei dos poemas.
Difícil falar de pessoas que não conhecemos. Mas conheci um pouco mais com sua postagem. Valeu.
Abraço.
Devolvendo a tua passagem em meu blog...vou te incluir entre os meus blog de amigos que passo sempr por lá...amei o texto!...espero que tenhamos mais contato em msn ou via e-mail....um xerinho pernambucano!
ps:Perdoe-me a demora em responder.
Postar um comentário